Pequenos comentários sobre as gotas de entretenimento que absorvo.

 

Como Criar o Cão Perfeito Desde Filhotinho, por Cesar Millan. ****
Recentemente, eu e minha noiva decidimos criar um cachorro. Após muita pesquisa, nos decidimos por um Schnauzer Miniatura fêmea, adequado para apartamento. E por sugestão de uma amiga, comprei o e-book deste livro do Encantador de Cães Cesar Millan para aprender a educar nosso filhote desde cedo.
As informações ofertadas pelo especialista no livro são impressionantes! O trabalho de Millan é diferente do de adestradores comuns, pois o mexicano radicado nos Estados Unidos demonstra conhecer o comportamento real dos animais quando criados com menor interferência humana, em matilhas. Assim, ele pode dar dicas que apenas com muita observação descobriu.
Criar um cachorro perfeito não é tarefa para principiantes, então já sei que não conseguiremos seguir todas as orientações, mas em alguns pontos estamos tentando. E de toda forma, o compêndio de informações ofertadas vale como referência. Coincidentemente, Millan utiliza um Schnauzer como um dos filhotes de exemplo (na capa, Angel; ao lado do buldogue Mr. President).

Como Criar o Cão Perfeito Desde Filhotinho, por Cesar Millan. ****

Recentemente, eu e minha noiva decidimos criar um cachorro. Após muita pesquisa, nos decidimos por um Schnauzer Miniatura fêmea, adequado para apartamento. E por sugestão de uma amiga, comprei o e-book deste livro do Encantador de Cães Cesar Millan para aprender a educar nosso filhote desde cedo.

As informações ofertadas pelo especialista no livro são impressionantes! O trabalho de Millan é diferente do de adestradores comuns, pois o mexicano radicado nos Estados Unidos demonstra conhecer o comportamento real dos animais quando criados com menor interferência humana, em matilhas. Assim, ele pode dar dicas que apenas com muita observação descobriu.

Criar um cachorro perfeito não é tarefa para principiantes, então já sei que não conseguiremos seguir todas as orientações, mas em alguns pontos estamos tentando. E de toda forma, o compêndio de informações ofertadas vale como referência. Coincidentemente, Millan utiliza um Schnauzer como um dos filhotes de exemplo (na capa, Angel; ao lado do buldogue Mr. President).

O Mistério da Regata e Outras Histórias, por Agatha Christie. ***
O Mistério da Regata e Outras Histórias apresenta nove contos, sendo dois protagonizados pelo detetive Parker Pyne, um por Miss Marple, cinco com Poirot e um sem personagens famosos. Os dois de Parker Pyne eu já havia lido, na edição brasileira de O Detetive Parker Pyne, portanto me ative aos sete restantes.
A história mais fraca é justamente In a Glass Darkly, sem personagem famoso e apelando para o sobrenatural, mas jamais sustentando a obra. A de Miss Marple é fofinha, e How Does Your Garden Grow? muito bobinha. Mas os demais quatro contos de Poirot são todos intrigantes, especialmente The Dream, que apresenta um dos mistérios mais insolúveis que me recordo.
Me chamou a atenção The Mystery of the Baghdad Chest, que apresenta uma narrativa extremamente similar à de Festim Diabólico, longa de Hitchcock. Ou seja, uma festa em que há um morto em um baú na sala. O conto é de 1932 e o filme de 1948, porém este foi inspirado em uma peça de 1929. Ou seja, Christie deve ter assistido a peça e ficado com a ideia na cabeça. O desenrolar é completamente diferente e também interessante.

O Mistério da Regata e Outras Histórias, por Agatha Christie. ***

O Mistério da Regata e Outras Histórias apresenta nove contos, sendo dois protagonizados pelo detetive Parker Pyne, um por Miss Marple, cinco com Poirot e um sem personagens famosos. Os dois de Parker Pyne eu já havia lido, na edição brasileira de O Detetive Parker Pyne, portanto me ative aos sete restantes.

A história mais fraca é justamente In a Glass Darkly, sem personagem famoso e apelando para o sobrenatural, mas jamais sustentando a obra. A de Miss Marple é fofinha, e How Does Your Garden Grow? muito bobinha. Mas os demais quatro contos de Poirot são todos intrigantes, especialmente The Dream, que apresenta um dos mistérios mais insolúveis que me recordo.

Me chamou a atenção The Mystery of the Baghdad Chest, que apresenta uma narrativa extremamente similar à de Festim Diabólico, longa de Hitchcock. Ou seja, uma festa em que há um morto em um baú na sala. O conto é de 1932 e o filme de 1948, porém este foi inspirado em uma peça de 1929. Ou seja, Christie deve ter assistido a peça e ficado com a ideia na cabeça. O desenrolar é completamente diferente e também interessante.

Planetary - Volume 2: O Quarto Homem. *****
É uma pena que eu já tenha lido Planetary no passado e não possa listar a HQ nos meus tops de fim de ano, porque está cada vez mais claro pra mim que esta é a obra máxima da vida de Warren Ellis. Ele jamais chegará nesse nível outra vez. É uma homenagem impressionante à cultura pop como um todo, aglutinando referências de todas as partes e conseguindo encaixar tudo de forma consistente!
Elijah Snow, Jakita Wagner e o Baterista encaram mais esquisitices, como a mulher que teve uma sobrevida radioativa de 50 anos após sua morte; ou o mistério do investigador assassinado; ou ainda: quem é o quarto homem, que aparentemente controla as ações do Planetary e escreve o catálogo anual desde 1925?
Outro espetáculo diz respeito à arte de John Cassaday, capaz de representar bem formigas gigantes, o Monstro do Pântano e uma nave espacial; e o que dizer das capas, onde cada edição muda completamente o projeto de logotipo e as fontes dos créditos? Planetary é uma das maiores pérolas dos quadrinhos americanos dos últimos 15 anos, imperdível!

Planetary - Volume 2: O Quarto Homem. *****

É uma pena que eu já tenha lido Planetary no passado e não possa listar a HQ nos meus tops de fim de ano, porque está cada vez mais claro pra mim que esta é a obra máxima da vida de Warren Ellis. Ele jamais chegará nesse nível outra vez. É uma homenagem impressionante à cultura pop como um todo, aglutinando referências de todas as partes e conseguindo encaixar tudo de forma consistente!

Elijah Snow, Jakita Wagner e o Baterista encaram mais esquisitices, como a mulher que teve uma sobrevida radioativa de 50 anos após sua morte; ou o mistério do investigador assassinado; ou ainda: quem é o quarto homem, que aparentemente controla as ações do Planetary e escreve o catálogo anual desde 1925?

Outro espetáculo diz respeito à arte de John Cassaday, capaz de representar bem formigas gigantes, o Monstro do Pântano e uma nave espacial; e o que dizer das capas, onde cada edição muda completamente o projeto de logotipo e as fontes dos créditos? Planetary é uma das maiores pérolas dos quadrinhos americanos dos últimos 15 anos, imperdível!

O Senhor dos Espinhos. ****
Um vírus mortal chamado Medusa começa a afetar o mundo, então uma empresa afirma ter desenvolvido uma tecnologia de criogenia para salvar as vidas de alguns pacientes até que uma cura seja descoberta. Kazumi é sorteada, sua irmã gêmea Shizuku não. Após despertar da criogenia no castelo da empresa, a garota se depara com um mundo alterado, com monstros atacando as pessoas e espinhos por toda parte. Assim, se alia ao violento Marco e a outros sobreviventes para tentar sair do lugar e descobrir o que aconteceu com o mundo.
O traço do mangaká Yuji Iwahara é muito bacana na parte de ação, carregado no contraste, mas não gostei muito da aparência dos personagens, e algumas coisas me lembraram até o mexicano Humberto Ramos, que detesto. Mas em geral ele é bem sucedido na parte narrativa. Os personagens são um pouco estereotipados, mas atendem bem a necessidade da história, com exceção da protagonista desinteressante.
Seguindo fielmente o gênero sobrevivência, O Senhor dos Espinhos é praticamente um mangá de zumbis, em que a cada curva uma ameaça pode surgir, poucos humanos restaram e, nessas condições extremas, as ações de cada um dizem muito sobre suas personalidades. A narrativa se inicia devagar, depois melhora e mantém o nível até o último volume, quando volta a cair pelas revelações que não foram bem orquestradas. O autor deseja chocar, mas ficou previsível e pouco plausível. Ainda assim, o mangá vale pelo clima de tensão constante!

O Senhor dos Espinhos. ****

Um vírus mortal chamado Medusa começa a afetar o mundo, então uma empresa afirma ter desenvolvido uma tecnologia de criogenia para salvar as vidas de alguns pacientes até que uma cura seja descoberta. Kazumi é sorteada, sua irmã gêmea Shizuku não. Após despertar da criogenia no castelo da empresa, a garota se depara com um mundo alterado, com monstros atacando as pessoas e espinhos por toda parte. Assim, se alia ao violento Marco e a outros sobreviventes para tentar sair do lugar e descobrir o que aconteceu com o mundo.

O traço do mangaká Yuji Iwahara é muito bacana na parte de ação, carregado no contraste, mas não gostei muito da aparência dos personagens, e algumas coisas me lembraram até o mexicano Humberto Ramos, que detesto. Mas em geral ele é bem sucedido na parte narrativa. Os personagens são um pouco estereotipados, mas atendem bem a necessidade da história, com exceção da protagonista desinteressante.

Seguindo fielmente o gênero sobrevivência, O Senhor dos Espinhos é praticamente um mangá de zumbis, em que a cada curva uma ameaça pode surgir, poucos humanos restaram e, nessas condições extremas, as ações de cada um dizem muito sobre suas personalidades. A narrativa se inicia devagar, depois melhora e mantém o nível até o último volume, quando volta a cair pelas revelações que não foram bem orquestradas. O autor deseja chocar, mas ficou previsível e pouco plausível. Ainda assim, o mangá vale pelo clima de tensão constante!

O Natal de Poirot, por Agatha Christie. *****
O idoso e inválido milionário Simeon Lee deseja reunir toda a sua família para o Natal. Assim, além do filho residente Alfred e sua esposa Lydia e do comumente presente George e esposa Magdalene, são recebidos o distante David e sua esposa Hilda, e o indesejado Harry, sumido há 20 anos. Além destes, a neta Pilar, espanhola e Stephen Farr, filho de um antigo colega de mineração. Com um cenário repleto de intrigas familiares, ocorre um crime e, para azar do assassino, Hercule Poirot estava na região visitando o amigo Coronel Johnson, assim auxilia o Superintendente Sugden a resolver o mistério.
Este é um dos livros da Dama do Crime com o melhor rol de personagens! Impressionante como cada um, até mesmo as noras de Simeon, tem voz própria e características tridimensionais! A verossimilhança é assustadora, pois os parentes têm traços comuns, mas ao mesmo tempo personalidade diferenciada. Claro que Pilar sofre do estereótipo de espanhola de sangue quente, mas lembremos que o livro foi escrito nos anos 30 (e que a Penélope Cruz ganha dinheiro com esse estereótipo até hoje).
Desta vez eu consegui descobrir o assassino alguns capítulos antes da revelação de Poirot, mas ainda assim é surpreendente constatar que é realmente esta pessoa, e o modus operandi do crime chega a ser surreal, já que se trata de um assassinato em ambiente fechado, onde só estava o morto e aparentemente ninguém entrou nem saiu. O ano de 2014 já tem um candidato ao Top 5 Livros, com este excelente mistério da Agatha Christie.

O Natal de Poirot, por Agatha Christie. *****

O idoso e inválido milionário Simeon Lee deseja reunir toda a sua família para o Natal. Assim, além do filho residente Alfred e sua esposa Lydia e do comumente presente George e esposa Magdalene, são recebidos o distante David e sua esposa Hilda, e o indesejado Harry, sumido há 20 anos. Além destes, a neta Pilar, espanhola e Stephen Farr, filho de um antigo colega de mineração. Com um cenário repleto de intrigas familiares, ocorre um crime e, para azar do assassino, Hercule Poirot estava na região visitando o amigo Coronel Johnson, assim auxilia o Superintendente Sugden a resolver o mistério.

Este é um dos livros da Dama do Crime com o melhor rol de personagens! Impressionante como cada um, até mesmo as noras de Simeon, tem voz própria e características tridimensionais! A verossimilhança é assustadora, pois os parentes têm traços comuns, mas ao mesmo tempo personalidade diferenciada. Claro que Pilar sofre do estereótipo de espanhola de sangue quente, mas lembremos que o livro foi escrito nos anos 30 (e que a Penélope Cruz ganha dinheiro com esse estereótipo até hoje).

Desta vez eu consegui descobrir o assassino alguns capítulos antes da revelação de Poirot, mas ainda assim é surpreendente constatar que é realmente esta pessoa, e o modus operandi do crime chega a ser surreal, já que se trata de um assassinato em ambiente fechado, onde só estava o morto e aparentemente ninguém entrou nem saiu. O ano de 2014 já tem um candidato ao Top 5 Livros, com este excelente mistério da Agatha Christie.

É Fácil Matar, por Agatha Christie. ***
Luke Fitzwilliam é um policial aposentado voltando para Londres, e conhece a senhora Pinkerton num trem, que lhe conta de assassinatos num vilarejo e que está indo denunciar o responsável à Scotland Yard. A princípio, Luke pensa se tratar de delírio, mas logo descobre que ela foi atropelada antes de chegar à polícia e resolve investigar. Consegue se instalar na casa do rico Gordon Whitfield sob pretexto de ser primo de sua noiva Bridget Conway, e assim, com a desculpa de estar escrevendo um livro sobre folclore, o ex-policial investiga os cidadãos em busca do assassino.
Apesar de contar com um elenco de personagens relativamente variado e com uma cidadezinha pitoresca, e de apresentar uma solução surpreendente em seu final, É Fácil Matar peca por apresentar um dos protagonistas mais desinteressantes da bibliografia de Christie até então. Luke Fitzwilliam carece de uma personalidade mais desenvolvida, não tem traços marcantes nem sabemos fatos de seu passado.
Ainda assim, a revelação do assassino, que parecia previsível na reta final, toma rumos inesperados e consegue chocar de última hora.

É Fácil Matar, por Agatha Christie. ***

Luke Fitzwilliam é um policial aposentado voltando para Londres, e conhece a senhora Pinkerton num trem, que lhe conta de assassinatos num vilarejo e que está indo denunciar o responsável à Scotland Yard. A princípio, Luke pensa se tratar de delírio, mas logo descobre que ela foi atropelada antes de chegar à polícia e resolve investigar. Consegue se instalar na casa do rico Gordon Whitfield sob pretexto de ser primo de sua noiva Bridget Conway, e assim, com a desculpa de estar escrevendo um livro sobre folclore, o ex-policial investiga os cidadãos em busca do assassino.

Apesar de contar com um elenco de personagens relativamente variado e com uma cidadezinha pitoresca, e de apresentar uma solução surpreendente em seu final, É Fácil Matar peca por apresentar um dos protagonistas mais desinteressantes da bibliografia de Christie até então. Luke Fitzwilliam carece de uma personalidade mais desenvolvida, não tem traços marcantes nem sabemos fatos de seu passado.

Ainda assim, a revelação do assassino, que parecia previsível na reta final, toma rumos inesperados e consegue chocar de última hora.

Suspeita (Suspicion) - 1941. Dir: Alfred Hitchcock. Elenco: Joan Fontaine, Cary Grant, Nigel Bruce, Auriol Lee, Heather Angel, Cedric Hardwicke e Dame May Whitty. ***
Lina (Fontaine) é uma jovem tímida que acaba seduzida pelo galante Johnnie (Grant). Mas ela é rica e ele pobre e detesta trabalhar, gosta de apostar e pegar empréstimos. Assim, o pai de Lina (Hardwicke) é contra o casamento, e Lina fica em dúvida sobre o caráter do marido. Ele gosta mesmo dela? Ou ele está tentando matá-la para ficar com a herança?
A ideia por trás de Suspeita é interessante e Hitchcock consegue manter o espectador incerto durante toda a projeção: sabemos que Johnnie não é confiável no que diz respeito a dinheiro, mas ele ama Lina de verdade ou não? Nos identificamos com a garota em sua dúvida. Entretanto, o roteiro demora a estabelecer a questão central do longa, a tal suspeita do título. Se o ponto fosse estabelecido na metade do segundo ato, teríamos mais tempo de tensão em tela, e enquanto essa tensão não chega a história não oferece grandes atrativos.
Grant faz muito bem esse tipo sedutor de certa forma mau-caráter, que repetiria em Ladrão de Casaca. E Fontaine representa muito bem o drama de Lina, em atuação que lhe renderia um Oscar. Suspeita é um filme da fase em que o mestre do suspense estava começando a se estabelecer nos Estados Unidos e desenvolver o estilo que lhe tornou famoso, então apesar de conter alguns planos característicos do diretor, é um de seus longas menores.

Suspeita (Suspicion) - 1941. Dir: Alfred Hitchcock. Elenco: Joan Fontaine, Cary Grant, Nigel Bruce, Auriol Lee, Heather Angel, Cedric Hardwicke e Dame May Whitty. ***

Lina (Fontaine) é uma jovem tímida que acaba seduzida pelo galante Johnnie (Grant). Mas ela é rica e ele pobre e detesta trabalhar, gosta de apostar e pegar empréstimos. Assim, o pai de Lina (Hardwicke) é contra o casamento, e Lina fica em dúvida sobre o caráter do marido. Ele gosta mesmo dela? Ou ele está tentando matá-la para ficar com a herança?

A ideia por trás de Suspeita é interessante e Hitchcock consegue manter o espectador incerto durante toda a projeção: sabemos que Johnnie não é confiável no que diz respeito a dinheiro, mas ele ama Lina de verdade ou não? Nos identificamos com a garota em sua dúvida. Entretanto, o roteiro demora a estabelecer a questão central do longa, a tal suspeita do título. Se o ponto fosse estabelecido na metade do segundo ato, teríamos mais tempo de tensão em tela, e enquanto essa tensão não chega a história não oferece grandes atrativos.

Grant faz muito bem esse tipo sedutor de certa forma mau-caráter, que repetiria em Ladrão de Casaca. E Fontaine representa muito bem o drama de Lina, em atuação que lhe renderia um Oscar. Suspeita é um filme da fase em que o mestre do suspense estava começando a se estabelecer nos Estados Unidos e desenvolver o estilo que lhe tornou famoso, então apesar de conter alguns planos característicos do diretor, é um de seus longas menores.

Mangás 2013
Hora de fazer o apanhado geral dos mangás de 2013. Ranma 1/2 já foi citado aqui por ter concluído este ano, enquanto os abaixo estão em andamento:
20th Century Boys: está cada vez mais intrigante a história do Amigo e como Kenji, Otcho e os demais combatem este vilão misterioso. Trafegando entre três tempos distintos (1970, 2000 e 2014), o autor Naoki Urasawa cria uma narrativa magistral, introduzindo sempre novos elementos, mantendo o mistério e não deixando desaparecer o clima de urgência que faz a história parecer sempre prestes a acabar, quando ainda está chegando ao seu primeiro terço. Uma das melhores revistas periódicas em lançamento no Brasil;
Monster: do mesmo autor de 20th Century Boys, é o também ótimo Monster. O Dr. Tenma continua perseguindo Johan, travando também um duelo com sua própria humanidade. Matar ou não este grande assassino? Urasawa também usa bem aqui o estilo de introduzir novos elementos na trama, mas manter a tensão;
Bleach: um mangá que era bom e só piora. Quando finalmente acaba a longa saga que vinha se desenrolando, há um suspiro de boas novidades, mas que logo segue ladeira abaixo, chegando a parecer pior que a narrativa anterior. A melhor solução no meu ponto de vista é encerrar logo o mangá;
Diário do Futuro: li quatro volumes (outros me aguardam, leio emprestado =P) deste mangá pouco conhecido e aviso que quem não leu, não perde muita coisa. Historinha boba sobre diários que preveem o futuro e portadores desses diários que querem matar uns aos outros. O único ponto interessante da trama é a personalidade curiosa da “namorada” do protagonista;
Fairy Tail: com uma ou outra oscilação de qualidade, a trama de Fairy Tail até que consegue ser consistente. A proposta do autor de fazer sempre sagas curtas (as mais longas duram 5, 6 volumes, contra sagas de 20 volumes em Bleach) acaba sendo acertada. Ainda assim, a história peca um pouco pela previsibilidade tão comum a mangás do gênero;
Gen: uma coletânea bizarra de histórias alternativas, a revista Gen não traz uma única narrativa decente. Todas as histórias são fracas e servem apenas para apresentar ao mercado brasileiro alguns mangás underground;
Genshiken: após me arrepender de não ter comprado o tão elogiado Bakuman, sobre a criação de mangás, resolvi dar uma chance a esse Genshiken, sobre clubes de otakus nas universidades japonesas. Mas infelizmente a história não engrena. Não é ruim, mas falta algo para ser bom também;
Hunter X Hunter: após a fraca fase das “formigas”, o mangá tem uma melhora com a interessante história da irmã de Killua, mas ainda não retoma seu ritmo anterior. Veremos o que acontecerá agora, que tudo parece pronto para uma nova saga;
Kimi ni Todoke: se o anime me pareceu repetitivo na segunda fase da história, o mangá tem conseguido manter o ritmo. Apesar das diferenças culturais nesses romances juvenis japoneses (imagino o quanto um intercâmbio em escolas brasileiras chocaria os estudantes do Japão), Kimi ni Todoke tem como grande trunfo duas das melhores personagens de apoio dos shoujos que já li: Ayane e Chizuro. Ao se concentrar nas tramas das duas e deixar um pouco Sawako e Kazehaya em segundo plano, a autora acerta e entrega ótimos volumes;
Naruto: apesar dos rodeios para a conclusão que nunca chega, o mangá de Naruto consegue se manter interessante, e a Guerra Shinobi alcança proporções inimagináveis. Mas o que falta ainda revelar? Eu gostaria que dessem um ponto final de forma digna às aventuras do shinobi atrapalhado antes que o rumo se perca;
One Piece: se Bleach passou da hora de acabar e Naruto corre esse risco, One Piece nem precisa se preocupar em ter fim. Quanto mais mangás sobre os piratas do chapéu de palha eu leio, mais quero ler. O encerramento da saga de Enies Lobby, a revelação do passado de Robin e o início da saga que trará o nono pirata pra equipe geram batalhas e diálogos sempre geniais, com destaque para a chegada do novo navio;
Saint Seiya - The Lost Canvas Gaiden: honestamente? Eu não dou a menor bola para o passado dos cavaleiros de ouro da saga Lost Canvas. Só leio porque me emprestam, mas nem sei se vale o meu tempo;
Thermae Romae: li dois dos seis volumes deste inusitado mangá da autora Mari Yamazaki, sobre a similaridade entre as antigas termas romanas e as atuais japonesas. O protagonista é um arquiteto romano que acaba fazendo viagens no tempo para resolver seus problemas pegando ideias do Japão de hoje. A estrutura corre sérios riscos de se tornar repetitiva, mas curiosamente consegue se manter bem nos dois volumes.

Mangás 2013

Hora de fazer o apanhado geral dos mangás de 2013. Ranma 1/2 já foi citado aqui por ter concluído este ano, enquanto os abaixo estão em andamento:

  • 20th Century Boys: está cada vez mais intrigante a história do Amigo e como Kenji, Otcho e os demais combatem este vilão misterioso. Trafegando entre três tempos distintos (1970, 2000 e 2014), o autor Naoki Urasawa cria uma narrativa magistral, introduzindo sempre novos elementos, mantendo o mistério e não deixando desaparecer o clima de urgência que faz a história parecer sempre prestes a acabar, quando ainda está chegando ao seu primeiro terço. Uma das melhores revistas periódicas em lançamento no Brasil;
  • Monster: do mesmo autor de 20th Century Boys, é o também ótimo Monster. O Dr. Tenma continua perseguindo Johan, travando também um duelo com sua própria humanidade. Matar ou não este grande assassino? Urasawa também usa bem aqui o estilo de introduzir novos elementos na trama, mas manter a tensão;
  • Bleach: um mangá que era bom e só piora. Quando finalmente acaba a longa saga que vinha se desenrolando, há um suspiro de boas novidades, mas que logo segue ladeira abaixo, chegando a parecer pior que a narrativa anterior. A melhor solução no meu ponto de vista é encerrar logo o mangá;
  • Diário do Futuro: li quatro volumes (outros me aguardam, leio emprestado =P) deste mangá pouco conhecido e aviso que quem não leu, não perde muita coisa. Historinha boba sobre diários que preveem o futuro e portadores desses diários que querem matar uns aos outros. O único ponto interessante da trama é a personalidade curiosa da “namorada” do protagonista;
  • Fairy Tail: com uma ou outra oscilação de qualidade, a trama de Fairy Tail até que consegue ser consistente. A proposta do autor de fazer sempre sagas curtas (as mais longas duram 5, 6 volumes, contra sagas de 20 volumes em Bleach) acaba sendo acertada. Ainda assim, a história peca um pouco pela previsibilidade tão comum a mangás do gênero;
  • Gen: uma coletânea bizarra de histórias alternativas, a revista Gen não traz uma única narrativa decente. Todas as histórias são fracas e servem apenas para apresentar ao mercado brasileiro alguns mangás underground;
  • Genshiken: após me arrepender de não ter comprado o tão elogiado Bakuman, sobre a criação de mangás, resolvi dar uma chance a esse Genshiken, sobre clubes de otakus nas universidades japonesas. Mas infelizmente a história não engrena. Não é ruim, mas falta algo para ser bom também;
  • Hunter X Hunter: após a fraca fase das “formigas”, o mangá tem uma melhora com a interessante história da irmã de Killua, mas ainda não retoma seu ritmo anterior. Veremos o que acontecerá agora, que tudo parece pronto para uma nova saga;
  • Kimi ni Todoke: se o anime me pareceu repetitivo na segunda fase da história, o mangá tem conseguido manter o ritmo. Apesar das diferenças culturais nesses romances juvenis japoneses (imagino o quanto um intercâmbio em escolas brasileiras chocaria os estudantes do Japão), Kimi ni Todoke tem como grande trunfo duas das melhores personagens de apoio dos shoujos que já li: Ayane e Chizuro. Ao se concentrar nas tramas das duas e deixar um pouco Sawako e Kazehaya em segundo plano, a autora acerta e entrega ótimos volumes;
  • Naruto: apesar dos rodeios para a conclusão que nunca chega, o mangá de Naruto consegue se manter interessante, e a Guerra Shinobi alcança proporções inimagináveis. Mas o que falta ainda revelar? Eu gostaria que dessem um ponto final de forma digna às aventuras do shinobi atrapalhado antes que o rumo se perca;
  • One Piece: se Bleach passou da hora de acabar e Naruto corre esse risco, One Piece nem precisa se preocupar em ter fim. Quanto mais mangás sobre os piratas do chapéu de palha eu leio, mais quero ler. O encerramento da saga de Enies Lobby, a revelação do passado de Robin e o início da saga que trará o nono pirata pra equipe geram batalhas e diálogos sempre geniais, com destaque para a chegada do novo navio;
  • Saint Seiya - The Lost Canvas Gaiden: honestamente? Eu não dou a menor bola para o passado dos cavaleiros de ouro da saga Lost Canvas. Só leio porque me emprestam, mas nem sei se vale o meu tempo;
  • Thermae Romae: li dois dos seis volumes deste inusitado mangá da autora Mari Yamazaki, sobre a similaridade entre as antigas termas romanas e as atuais japonesas. O protagonista é um arquiteto romano que acaba fazendo viagens no tempo para resolver seus problemas pegando ideias do Japão de hoje. A estrutura corre sérios riscos de se tornar repetitiva, mas curiosamente consegue se manter bem nos dois volumes.
O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame) - 1996. Dir: Gary Trousdale e Kirk Wise. Elenco: Tom Hulce, Demi Moore, Kevin Kline, Tony Jay, Charles Kimbrough, Jason Alexander, Mary Wickes e David Ogden Stiers. *****
Quasímodo (voz de Hulce) é um corcunda filho de uma cigana morta pelos homens do Juiz Frollo (Jay), que é convencido pelo sacerdote (Stiers) de Notre Dame a criar o bebê, decisão acatada por este, que o esconde no campanário da grande igreja parisiense. Anos depois, o rapaz cuida dos sinos e nunca sai da igreja por medo de retaliação pela sua aparência, acreditando, graças a Frollo, que o mundo é horrível. É quando surgem a cigana Esmeralda (Moore) e o capitão da guarda Febo (Kline), que fazem Quasímodo a acreditar que pode ser alguém.
Os Miseráveis é a obra mais famosa de Victor Hugo, mas, não sei se pela qualidade da adaptação, este O Corcunda de Notre Dame me impressionou bem mais. Fiquei genuinamente desejoso de ler o livro que inspirou o roteiro desta bela história. Talvez os personagens sejam planos, é verdade, mas era uma característica comum nos romances da época e mesmo com arquétipos bem definidos, são personagens interessantes e com motivações próprias.
O roteiro escrito por 5 pessoas (normalmente um mau sinal) é muito bem-sucedido ao apresentar Quasímodo como um jovem inocente e bondoso e Frollo como um homem corrompido pelo poder. Também é bem amarrado o triângulo amoroso da trama e as cenas de humilhação do corcunda provocam a tristeza que deveriam.
Me surpreendeu muito a qualidade técnica da animação. Não falo especialmente do traço, embora o design dos personagens seja criativo e Esmeralda tenha os olhos belíssimos e reluzentes como merecia, mas a fotografia sim, é um primor! A câmera realiza travellings e planos-sequência de tirar o fôlego. As transições da montagem também são bem realizadas e a Paris do final do Século XV é deslumbrante.
Ainda merece elogios a trilha sonora do grande Alan Menken, compositor de grandes clássicos da Disney de A Pequena Sereia pra cá. E a direção da dupla Trousdale e Wise (também responsáveis pelo igualmente fascinante A Bela e A Fera) é acertada. O Corcunda de Notre Dame é um dos grandes filmes Disney dos anos 90, e que me pegou de surpresa. A Bela e A Fera é tão alardeado que eu já esperava que fosse ótimo, alarde este que não acontece com o longa de 96.
P.S.: esse é o 500º post do meu Tumblr. ^^

O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame) - 1996. Dir: Gary Trousdale e Kirk Wise. Elenco: Tom Hulce, Demi Moore, Kevin Kline, Tony Jay, Charles Kimbrough, Jason Alexander, Mary Wickes e David Ogden Stiers. *****

Quasímodo (voz de Hulce) é um corcunda filho de uma cigana morta pelos homens do Juiz Frollo (Jay), que é convencido pelo sacerdote (Stiers) de Notre Dame a criar o bebê, decisão acatada por este, que o esconde no campanário da grande igreja parisiense. Anos depois, o rapaz cuida dos sinos e nunca sai da igreja por medo de retaliação pela sua aparência, acreditando, graças a Frollo, que o mundo é horrível. É quando surgem a cigana Esmeralda (Moore) e o capitão da guarda Febo (Kline), que fazem Quasímodo a acreditar que pode ser alguém.

Os Miseráveis é a obra mais famosa de Victor Hugo, mas, não sei se pela qualidade da adaptação, este O Corcunda de Notre Dame me impressionou bem mais. Fiquei genuinamente desejoso de ler o livro que inspirou o roteiro desta bela história. Talvez os personagens sejam planos, é verdade, mas era uma característica comum nos romances da época e mesmo com arquétipos bem definidos, são personagens interessantes e com motivações próprias.

O roteiro escrito por 5 pessoas (normalmente um mau sinal) é muito bem-sucedido ao apresentar Quasímodo como um jovem inocente e bondoso e Frollo como um homem corrompido pelo poder. Também é bem amarrado o triângulo amoroso da trama e as cenas de humilhação do corcunda provocam a tristeza que deveriam.

Me surpreendeu muito a qualidade técnica da animação. Não falo especialmente do traço, embora o design dos personagens seja criativo e Esmeralda tenha os olhos belíssimos e reluzentes como merecia, mas a fotografia sim, é um primor! A câmera realiza travellings e planos-sequência de tirar o fôlego. As transições da montagem também são bem realizadas e a Paris do final do Século XV é deslumbrante.

Ainda merece elogios a trilha sonora do grande Alan Menken, compositor de grandes clássicos da Disney de A Pequena Sereia pra cá. E a direção da dupla Trousdale e Wise (também responsáveis pelo igualmente fascinante A Bela e A Fera) é acertada. O Corcunda de Notre Dame é um dos grandes filmes Disney dos anos 90, e que me pegou de surpresa. A Bela e A Fera é tão alardeado que eu já esperava que fosse ótimo, alarde este que não acontece com o longa de 96.

P.S.: esse é o 500º post do meu Tumblr. ^^

Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail) - 1975. Dir: Terry Gilliam and Terry Jones. Elenco: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones e Michael Palin. ****
O Rei Arthur (Chapman) reúne seus cavaleiros da Távola Redonda, Sir Lancelot (Cleese), Sir Robin (Idle), Sir Bedevere (Jones), Sir Galahad (Palin) e seu escudeiro Patsy (Gilliam) para buscar o cálice sagrado, enfrentando inúmeros desafios pelo caminho.
Não me parece haver nos dias atuais um estilo de humor tão nonsense quanto o do Monty Python nos anos 70. O longa é basicamente uma sequência de sketches amarrados pela busca do graal. Mas é um sketch mais engraçado e absurdo que o anterior! Me acabei de rir com o cara que vai vender o corpo do morto que está vivo; ou com o cavaleiro negro que acha que vai vencer mesmo sem os braços; ou ainda com os cavaleiros que falam “Ni”. XD
Eu acho que as cenas com personagens modernos e a conclusão da história são mais nonsense do que deveriam. Fiquei curioso pra ver como seria se não houvesse essa intromissão. Mas é um ótimo exemplar do mais refinado humor britânico, e que delícia é ouvir os sotaques carregados dos personagens!

Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail) - 1975. Dir: Terry Gilliam and Terry Jones. Elenco: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones e Michael Palin. ****

O Rei Arthur (Chapman) reúne seus cavaleiros da Távola Redonda, Sir Lancelot (Cleese), Sir Robin (Idle), Sir Bedevere (Jones), Sir Galahad (Palin) e seu escudeiro Patsy (Gilliam) para buscar o cálice sagrado, enfrentando inúmeros desafios pelo caminho.

Não me parece haver nos dias atuais um estilo de humor tão nonsense quanto o do Monty Python nos anos 70. O longa é basicamente uma sequência de sketches amarrados pela busca do graal. Mas é um sketch mais engraçado e absurdo que o anterior! Me acabei de rir com o cara que vai vender o corpo do morto que está vivo; ou com o cavaleiro negro que acha que vai vencer mesmo sem os braços; ou ainda com os cavaleiros que falam “Ni”. XD

Eu acho que as cenas com personagens modernos e a conclusão da história são mais nonsense do que deveriam. Fiquei curioso pra ver como seria se não houvesse essa intromissão. Mas é um ótimo exemplar do mais refinado humor britânico, e que delícia é ouvir os sotaques carregados dos personagens!